Glaucoma – técnica com laser pode ser uma opção

Trabeculoplastia seletiva, pode trazer mais vantagens do que os colírios no controle da pressão dos olhos. Já é considerada a primeira opção de combate à doença na Europa e nos EUA.

O glaucoma é uma doença crônica, sem cura, que pode levar à perda de visão, ou seja,  cegueira irreversível. Atualmente, seu tratamento é realizado principalmente com os colírios que aliviam a pressão intra-ocular. Cirurgias e uso de lasers costumam ser aplicados a partir do momento em que os colírios deixaram de funcionar em sua eficácia. 

O glaucoma é responsável por 12% da perda de visão em adultos, é considerada a principal causa de cegueira irreversível hoje no mundo. A elevação da pressão interna do olho é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento e progressão do glaucoma. Pessoas com mais de 40 anos, com pressão alta ou portadores de diabetes são mais propensos a desenvolver a doença. O tratamento inicial geralmente é feito utilizando colírios.

Um estudo publicado no periódico The Lancet, apresentou que um tipo específico de intervenção com laser, a trabeculoplastia seletiva a laser (SLT), traz mais vantagens do que os colírios no controle da pressão intra-ocular. Assim, tornando a primeira opção de combate ao glaucoma. O estudo revelou que a técnica não é apenas mais eficaz e segura, mas também pode baratear os custos do tratamento do glaucoma, além de ter uma fidelidade maior ao tratamento e diminuir ou para com o uso de colírios evitando os efeitos colaterais dos mesmos.

O estudo, comparou 718 portadores de glaucoma de ângulo aberto ou de hipertensão ocular divididos em dois grupos: 356 passaram pela trabeculoplastia seletiva a laser, enquanto 362 receberam os colírios nos olhos. Depois de 36 meses, 74% dos indivíduos da primeira turma não precisavam mais aplicar nenhum medicamento diariamente.

Acima disso, a pressão intra-ocular dos participantes que recorreram ao laser estava adequada em 93% das visitas ao médico, enquanto o índice dos colírios ficou em 91% (o que também é bom, diga-se de passagem). Entre as pessoas que receberam a medicação tópica (colírios), 11 tiveram que se submeter a uma cirurgia para reduzir mecanicamente a pressão intra-ocular. 

O colírio, claro, não deixa de ter seu mérito, até porque os resultados da investigação são parecidos do ponto de vista de eficácia. Entretanto, questões como a adesão ao tratamento, que exige treinamento e dedicação, podem atrapalhar sua ação. 

Fora isso, estima-se que cerca de um quarto dos usuários acabe precisando de mais de um tipo de colírio no olho depois de um certo tempo.

Como funciona o laser

A trabeculoplastia seletiva a laser foi desenvolvida na década de 1990 e já é utilizada há anos no Brasil. Ela visa melhorar o sistema de escoamento do humor aquoso, líquido importante para a saúde ocular, mas que pode se acumular e, aí, fazer a pressão intra-ocular subir – é o princípio do glaucoma.

O alvo do laser é a malha trabecular, parte do seio camerular. Trata-se de um “ralo” por onde o líquido é eliminado. A terapia é indicada somente para o paciente hipertenso ocular ou portador glaucoma de ângulo aberto, o mais prevalente (ocorre em 90% dos casos).

Nos casos severos de glaucoma, há cirurgias que abrem canais de drenagem para o humor aquoso. Cabe reforçar que nada é capaz de acabar de vez com a enfermidade, que afeta até um milhão de pessoas no Brasil e que não apresenta sintomas claros no princípio.

Segundo a Dra. Juliana Almodin, estar presente nas consultas com o oftalmologista é a condição segura de detectar o problema no início facilitando assim um tratamento seguro e com mais sucesso.